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Reflexões sobre um país chamado Brasil
Por: Fabiana Scoleso

Professores comem, pagam contas, têm filhos, precisam sobreviver. Nem toda a paixão ou amor pela profissão sustentam a barriga de alguém. A luta por melhores salários é uma luta justa. Merece crédito e apoio. Deveríamos criticar o Governo do Estado do Maranhão pelos anos que ignorou e tratou com descaso a Educação do Estado. Greve sim! Greve para impactar, para pressionar, para incomodar. Não se brinca com Educação. É o pilar mais importante de uma sociedade. E é exatamente porque existe um abismo na Educação desse país que algumas pessoas criticam. Quando a gente tem condições de estudar em boas escolas, de vestir boas roupas e comer bem, neste país, significa tratar os que não têm nada com descaso também. Os que estudam em boas escolas, comem bem e têm uma boa vida deveriam ter uma visão diferente das coisas, não acham? Não tem porque sua educação serve para uma única coisa: passar no vestibular. Para mim isso é pouco. Educação é formação individual e coletiva; é conseguir enxergar os lados; é discernir; é questionar.. Questionar o governo que não soluciona e nem pretende solucionar os problemas sociais. E sabem por quê? Porque a “Classe Satisfeita” aprova que grande parte da população continue ganhando um salário indigno e que outros tantos continuem na marginalidade. A TV vende a imagem da felicidade e do pacifismo, a escola apenas treina para o vestibular. Resultado: um povo incapaz de lutar por igualdade, respeito, dignidade para todos.. PARA TODOS!!!

Slavoj Zizek, um sujeito incômodo

VIVIAN WHITEMAN
DE SÃO PAULO

“Em que espécie de mundo estamos quando Hollywood precisa retirar o sexo dos filmes?”, pergunta Slavoj Zizek, ao comentar a súbita frigidez de James Bond no último episódio da saga, “Quantum of Solace”, um sinal da “economia do medo” que, segundo ele, rege as relações humanas contemporâneas.

Provocador nato e defensor ousado de uma nova encarnação do comunismo, Zizek vem ao Brasil nesta semana para divulgar seus últimos livros lançados no país: “Em Defesa das Causas Perdidas” e “Primeiro como Tragédia, Depois como Farsa”. Em São Paulo, no dia 21, participa do Projeto Revoluções (inscrições em revolucoes.org.br), organizado pela editora Boitempo. No dia 24, fala no Cine Odeon, no Rio, para as mais de 2.000 pessoas que se inscreveram para vê-lo.

Leia mais sobre o intelectual esloveno na Ilustríssima

Em entrevista à Folha, por telefone, ele apontou sua metralhadora teórica na direção de assuntos como levantes populares, bullying e falsa liberdade.

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Folha – No livro “Em Defesa das Causas Perdidas”, o sr. defende a “hipótese comunista”, uma alternativa ao capitalismo, e fala em ditadura do proletariado. Essa terminologia não gera resistência?
Slavoj Zizek – Quero deixar claro que o comunismo do século 20 está morto e que não sou um ingênuo que acredita num grande retorno do Partido Comunista. O stalinismo foi a materialização do horror. Defendo o uso desses termos porque qualquer conservador moderno de direita sai por aí dizendo que precisamos de mais solidariedade.
Por outro lado, são termos que se referem à memória coletiva da humanidade e remetem a momentos em que existiram explosões populares igualitárias verdadeiras. Não se trata de repetir o modelo fracassado, mas de preservar o momento em que foi possível ter a liberdade de pensar e agir segundo a ideia de que o capitalismo não é um fato dado.

Joao Wainer/Folhapress
O filósofo esloveno Slavoj Zizek durante visita à Folha, em 2003
O filósofo esloveno Slavoj Zizek durante visita à Folha, em 2003

Um de seus argumentos para defender o comunismo é a questão da propriedade intelectual. Por que diz que o conceito de conhecimento é comunista?
O conhecimento é naturalmente comunista, o que quer dizer que já inclui a ideia de algo feito para ser compartilhado. E isso não pode ser transformado numa “commodity” de mercado. Vamos pensar em apenas dois exemplos importantes: a propriedade do patrimônio biogenético e ecológico, incluindo aí todas as recentes descobertas científicas, o genoma etc.
Estamos falando do controle privado da nossa substância genética e do ambiente em que vivemos. O conhecimento é nossa substância simbólica e pertence a todos, não pode ser de grupos privados. Outro dia, um grupo de estudantes me pediu originais de um livro meu para “pirateá-lo” entre os colegas. Atendi imediatamente.

Em “Primeiro como Tragédia, Depois como Farsa”, o sr. fala que a crise de 2008 foi um embuste que revelou novas formas de colonialismo. Que formas são essas?
A crise de 2008 foi uma farsa no sentido de que foi um reflexo esperado das medidas tomadas nos EUA em 2001 –redirecionar o foco das empresas de internet que estavam falindo para o mercado imobiliário. É claro que a bomba estourou, mas a novidade é que essa crise planejada afetou os países muito seletivamente.

O Brasil passou bem pela crise…
Lula entendeu algo muito importante, que a esmagadora maioria da esquerda mundial não entende: o capitalismo de hoje não é um sistema hegemônico. Está cheio de inconsistências e divisões internas. A crise de 2008 foi uma crise do capitalismo global, mas, ao mesmo tempo, nos mostrou que estamos entrando numa era multicêntrica. Antes, se as economias norte-americana e dos principais países europeus iam bem, tudo ia bem. Agora, as coisas mudaram.
Isso pode ser bom por um lado, pois podemos pensar que o imperialismo norte-americano não é mais tão poderoso. Mas também traz um novo perigo: já podemos falar da emergência do colonialismo econômico chinês. A China patrocina governos corruptos locais para poder explorar recursos minerais, por exemplo, e manter seu lugar de destaque no mercado.
Aqui, queria fazer um parêntese e uma crítica a Lula. Talvez para mostrar que o Brasil não é mais dependente dos EUA, ele apoiou Mahmoud Ahmadinejad quando as eleições foram contestadas no Irã. Para mim, foi um erro terrível.

A seu ver, Lula deveria ter apoiado o outro lado?
Sim! Mir Hossein Mousavi, o candidato que foi roubado nas eleições, não era mais um liberal pró-ocidental oportunista. Na verdade, representava a verdadeira alternativa democrática: veio da revolução liderada por Khomeini [levante islamista que derrubou a monarquia no Irã em 1979].
Mousavi estava no caminho dos levantes que começaram recentemente no Egito e na Tunísia, fenômenos nos quais tenho alguma esperança. Ninguém esperava isso: que exatamente nos países árabes tivéssemos movimentos democráticos emancipatórios desse tipo.

Por que países como a França e a Inglaterra ficaram tão reticentes quanto ao levante no Egito?
O discurso norte-americano e da Europa Ocidental foi sempre o seguinte: as intervenções nos paí¬ses árabes acontecem no sentido de evitar levantes fundamentalistas e estimular a liberdade, a luta pela democracia etc. Muito bem: é exatamente isso o que aconteceu no Egito, e eles não ficaram contentes, mudaram o discurso. Mas de fato há razões para que eles fiquem assustados.
O que está acontecendo no Egito não é simples. Não se trata apenas de um “queremos ser uma democracia liberal”. As pessoas no Egito estão lutando por algo diferente, por algo novo.
O importante é o que acontece no que chamo de “o dia seguinte”, ou seja, como as reivindicações são institucionalizadas em uma nova ordem.

E como lê a situação da Líbia?
O episódio Gaddafi não traz nada de novo. É a repetição da fórmula que inclui intervenção militar, envio de ajuda humanitária etc. Ou seja, é um episódio que pode ser lido dentro da lógica da guerra ao terror americana. A Líbia não vive nada realmente novo, ao contrário do Egito.

O sr. estabelece uma relação direta entre capitalismo e bullying. Por que esse último se transformou numa espécie de paranoia mundial?
O paradoxo é o seguinte: de um lado, temos a permissividade capitalista, e do outro, uma sociedade mais regulada do que nunca. Ou seja, em princípio, não há regras rígidas a serem seguidas, mas, ao mesmo tempo, tudo o que você disser ou fizer pode ser apontado como ofensa ou ameaça.
O cerne da questão trata do velho problema cristão de “amar o próximo”. Cada vez mais, nosso próximo é percebido como ameaça em potencial. Isso tem ligação direta com a política do medo pós-11 de Setembro. Com a desculpa de proteger a população de possíveis novos atentados, os níveis de vigilância chegaram a patamares absurdos, liberdades foram cassadas e o clima de pânico, instaurado. A verdade é que, apesar de todo o discurso liberal, vivemos numa das sociedades mais controladas de todos os tempos.
Existe algo muito errado com essa subjetividade ultranarcisista que está surgindo desse cenário. Temos de falar de um exemplo muito importante: o ato sexual apaixonado está sendo abandonado. O último filme de “James Bond”, por exemplo, “Quantum of Solace” (2008), é o primeiro da série em que não existe uma cena de sexo entre Bond e a “Bond girl”. Em “O Código da Vinci” também não há sexo, embora o ato sexual exista nos romances que deram origem ao filme.
A indústria do cinema sempre teve o papel de acrescentar sexo aos roteiros para torná-los mais atraentes. Então, em que espécie de mundo estamos quando Hollywood precisa retirar o sexo dos filmes? Estamos falando de uma economia de relações baseada no medo.

O sr. tem batido muito na tecla da “farsa ecológica” alimentada pela culpa das elites. Não existe de fato uma ameaça ecológica?
Existem problemas graves, é óbvio, mas as soluções para eles não estão nas “ecobags” ou noutra idiotice desse tipo. Entre as classes média e alta, é chique dizer que você é “consciente”, que recicla lixo e se preocupa com o ambiente. Isso é imbecilidade, me desculpe.
É praticamente uma superstição, algo que tira a sua culpa e faz você se sentir bem. Os ecologistas radicais são os maiores críticos desse tipo de ritual da elite, eles chamam isso de “lifestyle” ecologista e pesquisas provam que o impacto positivo desse tipo de atitude no cenário global é irrelevante.

Nos livros “Em Defesa…” e “A Visão em Paralaxe”, o sr. aponta as favelas como foco potencial de ideias de organização revolucionárias. Não há também uma idealização dos favelados?
Sim, é claro. Não se trata de idealizar os pobres como vítimas boa¬zinhas. Meus amigos intelectuais do Rio queriam me levar num desses passeios turísticos pelas favelas cariocas, uma coisa horrível. O que penso é que nas favelas há a organização dos que foram ou ainda são excluídos pelo poder público. É claro, há o tráfico e as igrejas que suprem essa falta, mas isso pode mudar. As favelas não precisam de caridade, precisam de alianças.


Olá pessoal!

Queridos amigos que utilizam este blog para trabalhos ou consultas simples. Este blog não traz pesquisas avançadas. Ele é fruto de sínteses de aulas ministradas nos últimos anos. São apenas citações que foram apuradas e refletidas em sala de aula e que acredito que servem de plataforma para avançar nas suas próprias pesquisas.

Você não encontrará pesquisas prontas e acabadas. Apenas sugestões de aprofundamento. Acredito que as “pistas” deixadas aqui servem para instigar e estimular a busca pela aprendizagem e pelo conhecimento.

Agradeço a todos que deixaram sugestões, que elogiaram ou que apenas observaram este singelo blog.

Grande Abraço

Fabiana

Crise nas Cidades – uma entrevista com Raquel Rolnik

Nos últimos meses estamos acompanhando pelos diversos meios de comunicação discussões, reflexões e conclusões sobre as tragédias recentes provocadas pelas chuvas em diversas cidades brasileiras.

Muitas prefeituras, em especial a do município de São Paulo, alegam que o excesso de chuvas foi a grande responsável pela incapacidade da cidade em responder eficazmente ao volume de águas dos últimos tempos. Justificativas que não convencem nem um pouco os moradores das regiões e bairros mais atingidos, muitos embaixo d’água por mais de 50 dias como o caso do Jardim Pantanal localizado na zona leste da cidade de São Paulo, à margem esquerda do Rio Tietê, no distrito do Jardim Helena, em São Miguel Paulista.

Não é de hoje que os moradores da região lutam por melhores condições. Essa luta deu origem ao MULP – Movimento por Urbanização e Legalização do Pantanal. Entre suas reivindicações estão a proibição de despejo de lixo e entulho e a criação de áreas de transbordo e triagem de resíduos de construção (http://www.sr-cio.org/index.php?option=com_content&view=article&id=462:jardim-pantanal-uma-referencia-na-luta-por-moradia-na-cidade-de-sao-paulo&catid=46:movimentos&Itemid=69 ).

Não é de hoje que bairros como esse lutam e exigem da prefeitura melhores condições. O Jardim Pantanal passou a ser um exemplo de descaso do poder público ao mesmo tempo em que uma referência para se compreender o modelo de urbanização desordenada existente não só na capital paulista como na maioria das grandes cidades brasileiras.

Para que possamos compreender melhor esse processo escolhi comentar a entrevista da urbanista e relatora especial da ONU para o direito à moradia Raquel Rolnik. Em entrevista à Revista Fórum no mês de janeiro de 2010, Raquel aponta que o atual modelo de desenvolvimento urbano é o grande responsável pelas tragédias recentes que estamos acompanhando. A revista questionou Raquel quanto a falta de planejamento urbano no Brasil e sua resposta central apontou que o modelo de desenvolvimento urbano adotado resultou na vulnerabilidade das cidades, no colapso da mobilidade nos grandes centros urbanos e na fragilidade socioambiental, o que provoca recorrentes alagamentos, inundações e deslizamentos de terra.

A revista também questionou Raquel quanto aos interesses do capitalismo por esse tipo de modelo de desenvolvimento urbano. E mais uma vez a urbanista foi muito clara. De acordo com Raquel Rolnik para o capital é necessário que as mercadorias circulem. Portanto todo o modelo atendeu às expectativas do capitalismo e, portanto, aos interesses dos grandes grupos corporativos aqui fixados. Apontou que nossa política de reestruturação territorial acompanhou o ritmo da adoção de um modelo urbano-industrial iniciado em 1930 por Getúlio Vargas e consolidado na década de 50 do século XX por JK.  Processo esse que transformou a indústria automobilística no pilar mais importante da base econômica brasileira. O capitalismo Industrial Brasileiro baseado na produção automobilística foi o elemento central no processo de urbanização deste país. O desinteresse pelas estradas de ferro (possível de se ver no abandono de uma série de investimentos ao longo do século XX) e a opção pelo desenvolvimento rodoviário causou enormes impactos inclusive em relação à exploração das nossas matrizes energéticas.

Isso tudo tem um efeito importante na ocupação do território. A opção histórica pelo desenvolvimento rodoviário expresso nas principais políticas adotadas pelos governos em relação à Indústria Automobilística, tanto no passado como no presente (redução ao nível 0 do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados), revelam o abandono do poder público em relação a temas de fundamental importância como política habitacional, política urbana, transportes públicos, saúde e educação.

Dessa forma, mantém-se um padrão excludente  de desenvolvimento, que jogou a habitação para o campo da informalidade e conseqüente precariedade. Para Raquel Rolnik é difícil perceber hoje a diferença entre favelas e loteamento irregular, pois a marca da precariedade urbanística está presente nos dois. São espaços autoproduzidos que não obedeceram normas. Esse é o padrão autoexcludente: o povo constrói e o poder público se limita ao papel de negociar com a comunidade sempre de forma lenta. Até pelo fato de que as pessoas ali estabelecidas são votantes e alimentam esperanças num governo que possa alterar aquele status quo. Em contrapartida os políticos alimentam essas esperanças com promessas que muitas vezes nunca são cumpridas. Círculo vicioso que nossa história nos mostra e que já provou incapaz de mudar.

Raquel Rolnik, em sua entrevista, mexe em pontos extremamente importantes como o desenvolvimento do setor imobiliário, questões referentes ao Código Florestal de 1965, ambientalismo, bairros de classe média etc. São inúmeras as temáticas por ela desenvolvidas.

Ao final faz uma crítica sensata sobre o Governo Serra e ao Governo Lula apontando que mais uma vez os interesses de um grupo atrapalharam as principais metas de desenvolvimento urbano do Estado e do Governo Federal (Ministério das Cidades), apontando que programas como Minha Casa, Minha Vida nada tem a ver com o sistema nacional de habitação de interesse social. Ela aponta que o programa tinha muito mais um caráter antirecessivo e de dinamização da economia contra a crise econômica do que atender aos interesses da população.

Artigo muito interessante e fundamental para que possamos compreender a dinâmica de desenvolvimento econômico e político do Brasil assim como as opções que foram firmadas ao longo da nossa história e que provocam as contradições e as tragédias atuais em nosso território.

Faço aqui uma pequena menção explicando que ao longo desse texto inseri referências do meu entendimento na área, principalmente ao que concerne á forma particular de desenvolvimento industrial e à formação do principal pilar da economia nacional: a indústria automobilística.

Profª Drª Fabiana Scoleso

HAITI – O passado, o presente, o caos.

Em 1492 os espanhóis chegaram aos territórios hoje denominados Haiti e República Dominicana. Mas somente o lado oriental foi ocupado num primeiro momento. Quase toda população nativa foi morta ou escravizada.

A parte que ficava a oeste da ilha (atual Haiti), foi cedida aos franceses no ano de 1697. A partir daí a França passou a desenvolver a monocultura canavieira e a utilizar força de trabalho escrava africana.

As idéias revolucionárias provenientes da Revolução Francesa, no século XVIII, influenciaram os escravos a se rebelarem contra a dominação francesa.

Em 1804, enfim, o Haiti conquistou sua independência tornando-se a primeira nação negra das Américas.

Entretanto, nem seu sucesso como grande produtores e vendedores de açúcar, nem a força das idéias revolucionárias abolicionistas haitianas impediram que o país mergulhasse num período de intensos problemas políticos, econômicos e sociais.

Logo após a independência, os haitianos sofreram um “golpe” interno. Em 1806 a elite mulata tomou o poder conduzindo o país a um novo ciclo de desenvolvimento. Em 1814 o lado leste da ilha foi restituído à Espanha.

Entre 1915 e 1934, os Estados Unidos fizeram uma grande ocupação na região. Aliás, o governo norte-americano contribuiu imensamente para o enfraquecimento do poder político e econômico do Haiti. Por conta das posições abolicionistas que deram suporte à independência haitiana em 1804, os EUA romperam relações econômicas com o vizinho. Com medo de que tais idéias pudessem se transformar num grande problema, os norte-americanos adotaram a política de enfraquecimento deixando de comprar açúcar do Haiti e isolando politicamente o país.

As relações políticas/econômicas foram reatadas bem lentamente no século XIX, mas os resultados negativos de tal isolamento deixaram marcas profundas por muito mais tempo. Por conta dos sucessivos golpes e guerras civis muitas das lavouras canavieiras foram arrasadas, o que contribuiu para a decadência econômica do país, assim como para o aparecimento de inúmeros problemas sociais que transformaram o Haiti num dos países mais pobres das Américas.

Entre os séculos XVIII – XIX a população escrava do Haiti chegava perto dos 90%. Isso explica muito a forma como a organização interna do país se processou ao longo dos séculos subseqüentes. Uma população que, ao longo de sua história, foi expurgada e impedida de realizar experiências democráticas e de erguer pelas próprias mãos seu país. Subjugada pelos franceses, pelos mulatos e completamente aprisionada por sucessivos golpes e intervenções militares, os haitianos, ainda hoje, não conseguiram experimentar a autonomia política e a verdadeira liberdade.

Na década de 50 do século XX mais uma experiência desastrosa. François Duvalier foi eleito presidente do Haiti (1957), instalando um governo autocrático que perseguia e matava seus opositores. Com a morte de Duvalier em 1971 seu filho, Jean-Claude Duvalier, deu continuidade à tarefa do pai. Na década de 80 intensos protestos populares forçaram a sua saída do poder. Com medo, Jean-Claude fugiu para a França em 1986.

Com as eleições de 1990, o padre Aristide tornou-se presidente do Haiti. No ano seguinte um golpe militar depôs Aristide. Mais uma vez os EUA e a ONU fizeram intervenção no país exigindo que o presidente fosse restituído ao cargo. Somente em 1994 o Haiti foi ocupado por uma força multinacional que concedeu o poder novamente a Aristide.

Dez anos depois Aristide foi novamente eleito. Daí por diante grupos rebeldes começaram um levante armado (na cidade de Gonaives), que se espalhou rapidamente por outras cidades. Os insurgentes assumiram o controle do norte do Haiti.

Mesmo com esforços diplomáticos, a oposição ameaçou marchar sobre Porto Príncipe. O presidente Aristide deixou o poder e se refugiou na África do Sul.

De acordo com as regras Constitucionais do Haiti, o presidente da Suprema Corte, Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência. Bonifácio requisitou rapidamente a assistência das Nações Unidas para o encaminhamento da transição política pacífica e para manter a segurança interna.

Desde então inúmeros grupos pacificadores ocupam o Haiti procurando garantir a segurança interna. Mas são muito grandes os desafios que esta nação tão destruída politicamente deverá enfrentar agora que mais uma catástrofe assolou seu território. Ajudas humanitárias têm chegado de todas as partes. O caos está instalado no Haiti. Só o tempo será capaz de cicatrizar mais essa ferida… Mas a marca dela nunca sairá da pele e da memória do povo haitiano. (F.S.)

Sugestão de Leitura:

JAMES, C.L.R. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a revolução de São Domingo. Boitempo: São Paulo, 2000.

Olá alunos do Colégio Maria Imaculada!

Por meio do Blog de História estarei orientando tarefas e leituras neste período em que ficaremos em casa. Peço a gentileza, portanto, que fiquem atentos as orientações e, em caso de dúvidas, deixem recadinhos pra mim. Vou inserir temáticas nas categorias 9 ano (Ensino Fundamental II), 1 ano, 2 ano e 3 ano (Ensino  Médio) ao longo dessas duas semanas. Vocês podem registrar sua presença no Blog simplesmente inserindo um recado pra mim. Assim terei condições de verificar quais alunos visitaram a página.

Repito: qualquer dúvida estarei à disposição. Senhores pais também podem deixar seus recados se desejarem. Vamos fazer o possível para minimizar os prejuízos deste período forçado em casa.

A todos um forte abraço.

Professora Drª Fabiana Scoleso

”[…]

Muitas vezes eles [jovens] parecem não estar preocupados com o mundo que os cercam, mas estão sim. Muitas vezes parecem alheios aos problemas econômicos, políticos e sociais que o país vive, mas estão talvez mais preocupados e muitos sabem que apesar de viverem em um momento onde as oportunidades informacionais e tecnológicas são enormes, entendem que informação precisa virar conhecimento e que tecnologia é uma faca de dois gumes pois ela ao mesmo tempo que projeta o indivíduo ao mundo acaba demonstrando que sem atualização ou capacitação pode se transformar num entrave para sua vida profissional. E nós, responsáveis pela educação, com o que nos preocupamos?

Em antecipar os anseios e buscar alternativas para que este jovem se sinta seguro e possa buscar seu espaço e papel nesta sociedade tão cíclica. A modernidade e a avançada tecnologia que hoje saudamos com grande euforia trás a possibilidade da informação rápida, da comunicação entre todos os continentes num piscar de olhos, e nossos adolescentes tratam esses mecanismos como amigos íntimos porque interagem com ele desde muito cedo. A verdade é que adaptamos às necessidades aos momentos. Há 70 anos atrás as angústias e os sonhos eram outros. Hoje o cenário se diverge de épocas passadas, mas o que nunca muda é o anseio que temos de oferecer o melhor e ajudar nossos jovens a encontrar seu caminho para uma vida justa, coerente e feliz. ”

Profª Dr.ª Fabiana Scoleso

Professora do Colégio Maria Imaculada

Doutora em História Social pela PUC-SP

3 comentários em “About

  1. Olá professora!

    Gostaria que soubesse que todos do curso de especialização da Puc estamos ansiosos com sua volta, pois a sua colaboração nas aulas foi imensamente importante para o nosso aprendizado é gratificante saber, que vale a pena continuar se aperfeiçoando através da experiência de uma profissional como você obrigada Profª.Drª. Fabiana Socoleso, é um orgulho fazer parte do seu núcleo de alunos, contamos com sua volta em breve no próximo módulo.

    Há tivemos a nossa primeira aula com o Profº Miguel ontem, ele passou o filme argentino do Fernando Solanas (Memoria Del Saqueo), foi ótimo professora assim percebemos as contradições política na Argentina a corrupção, os descasos com a sociedade pelo Estado, que ao logo da sua história política atendeu somente os interesses burgueses.

    Adriana Alves

  2. Olá Adriana,

    Fiquei muito feliz com sua mensagem. Acredito que uma das funções do educador é fazer com que as pessoas sintam o sentido do aprendizado e a necessidade de estar sempre buscando aprender. Despertar a vontade, lutar para que os outros entendam o sentido do que fazemos e procurar transformar, no mínimo, a mentalidade aqueles que estão todos os dias ao nosso lado é simplesmente essencial. Torço muito pela turma, torço muito por você e espero, sinceramente, que esta oportunidade possa abrir a visão e a compreensão de todos.
    Um grande abraço.
    Saudades

    Fabiana

  3. Olá professora, com tem passado?

    Com certeza não lembra de mim, mas vamos por partes…

    Fui teu aluno no curso de pós-graduação na PUC-SP, fiz História Sociedade e Cultura. Se não me engano os encontros foram no segundo semestre de 2008 (me lembro que na ocasião eu peguei contigo o DVD do Darcy Ribeiro – O Povo Brasileiro).

    Bom, preciso ser breve – pelo menos nesse primeiro momento – vou logo ao assunto, e, caso aceite o convite voltaremos a nos falar.

    Um dia desses estava falando para uma turma de 9° ano a respeito da Ascensão Nazista no Entre-Guerras, e surgiu, por parte dos alunos, questões relacionadas aos campos de concentração. De imediato lembrei das tuas aulas, e claro, do teu “testemunho”. Disse à todos que eu tive uma professora que esteve em Auschwitz e conta como ninguém como é estar dentro de tal ambiente.

    Por fim, acabei pensando que seria uma experiência muito significativa e marcante para eles se você (não empregarei a “senhora” porque você já me deu bronca por isso) pudesse, pessoalmente, contar essa experiência para eles. Já falei com a diretora do colégio (é um colégio particular) e ela me pediu para entrar em contato contigo.

    E então, aceitas?

    Olha, perdoe-me se estou sendo audacioso, mas acho que agregaria muito à eles, e claro, a mim.

    Bom, deixarei meus dados para contato. Por favor, aguardo ansioso tua resposta.

    Obrigado pela atenção dispensada.

    Ademir

    e-mail: opampaemeupais@hotmail.com

    tel: (11) 24020694 / (11) 82865580 / (11) 84869099

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