São Paulo: a Cidade Impossível

Esta semana foi mais uma daquelas complicadas que estamos acostumados a viver. Mais uma vez o problema ocorreu nos meios de transporte da cidade. Mais uma vez a população pagou o preço da incompetência e da impunidade das autoridades públicas. Nunca o cidadão paulistano foi tão massacrado como na gestão do prefeito Gilberto Kassab. Suas medidas políticas autoritárias criou um ambiente de desconforto, impunidade e restrição. Sua gestão está baseada em punição. A gestão Pública municipal se limita a punir quando deveria criar soluções para esta grande cidade que em breve receberá a tão propalada Copa do Mundo.

E por conta disso nem precisamos mais nos perguntar como será quando milhares de pessoas precisarem se locomover pela cidade. A resposta está dada diariamente: nem nós, cidadãos paulistanos, conseguimos chegar ao nosso destino sem que atrasos, superlotações e acidentes não estejam inseridos no percurso.

Se dentro dos ônibus ou no metrô as coisas vão de mal a pior o trânsito de automóveis na cidade já virou um caos faz tempo. E que medidas são adotadas para minimizar essa circunstância? Medidas punitivas. Nunca tantas tecnologias e multas foram utilizadas e aplicadas para punir o motorista. Não estou aqui contestando as regras que realmente são necessárias para coibir o alcoolizado no volante e o excesso de velocidade. Mas em alguns casos é de se estranhar a quantidade de multas aplicadas.  Redução da velocidade em algumas vias, aplicação de multas quando a circunstâncias do trânsito prejudicam o motorista.

Até a Polícia Militar pode aplicar as multas. Isso não é departamento da CET? Os policiais não deveriam estar realizando o trabalho que verdadeiramente interessa para a população? Coibir o crime, trabalhar pela segurança, proteger o cidadão?

Diariamente vejo profissionais da CET pendurados ao celular enquanto o trânsito caótico não flui. Será que eles não poderiam ajudar a dar vazão ao trânsito ao invés de falarem “não sei lá o que” com “não sei quem” ao celular?

Não existe qualquer projeto eficiente de educação ao trânsito. Aliás, está muito claro que o papel da CET não é educar e sim punir. Por isso o trânsito fica a cada dia mais caótico. Os transportes públicos não funcionam, os financiamentos e as propagandas estimulam a compra de carros, multas e mais multas no trânsito…

Aí vem aquela história do uso da bicicleta. Quisera poder dizer que nesta cidade existe tal possibilidade. Mas esta cidade cresceu sob o viés da exclusão, portanto conforme as vias e os transportes foram sendo desenvolvidas as bicicletas que poderiam ter conquistado espaço nesse crescimento, foram excluídas do projeto urbanístico/viário da cidade. Não sendo absorvidas acabaram relegadas aos parques públicos e usadas em cidades do interior. Hoje virou um risco se deslocar por esta cidade por meio da bicicleta.

Conheço cidades europeias cujo uso da bicicleta fez e faz parte do crescimento e das necessidades da cidade. Londres, Amsterdam, Estocolmo, Berlim e tantas outras cresceram e pensaram nos espaços e na educação do motorista, do motociclista e do próprio pedestre. Há um diálogo entre eles, há uma formação que garante o convívio pacífico entre eles e os acidentes continuam se encaixando na categoria de acidente.

Aqui nada disso acontece. Há desrespeito por todas as partes, mas há fundamentalmente uma falha na nossa formação como condutor, como pedestre, como ciclista. Assumimos posturas diferentes quando nos encontramos em situações diferentes. A verdade é que não assumimos o compromisso com o coletivo, com o social. Assumimos os riscos e eles desencadeiam acidentes para além do que realmente é um acidente.

E o pior de se constatar tudo isso é ver que as pessoas não reagem mais. Esse pacifismo do brasileiro é a grande derrota do cidadão. Admiramos e até mesmo apoiamos as lutas sociais que ocorrem nas grandes cidades europeias. Mas quando o negócio é fazer as coisas acontecerem aqui a postura é completamente diferente.

Precisamos querer mudar e para isso é preciso se movimentar. Rosa Luxemburgo dizia “Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”. Acho que já sentimos as correntes, mas não temos força para nos movimentar.

E essa força se chama Educação. Outro grande problema deste país. Sem ela acabamos na inércia, deixamos de ser cidadãos políticos e permitimos que a política seja o espaço de resolução das demandas de alguns. Platão dizia: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governado por aqueles que gostam”. E os que gostam de política se perpetuam. E se perpetuam também as misérias do povo porque eles não têm interesse algum em resolvê-las.

By Fabiana Scoleso

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