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O blog de História de Fabiana Scoleso

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Os franceses na América

Posted by sala19cmi em quinta-feira, 1 março 2012


Introdução

O atraso francês no processo de colonização da América é justificado pelas disputas políticas internas, que retardaram a formação do Estado Absolutista e portanto dificultaram o desenvolvimento capitalista do país. Essas disputas envolveram principalmente os interesses da nobreza e do alto clero, controladores da burocracia do Estado e, de outro lado, os interesses de novos grupos mercantis que passaram a defender a teoria calvinista e tinham interesse em se opor a facção real e ficaram conhecidas como “Guerras de Religião”. Mesmo durante esse período de formação do Estado nacional, foram realizadas expedições e a França, no reinado de Francisco I, com o veneziano Verrazano e posteriormente com Jacques Cartier, que abordou as terras ao norte da América, região denominada Canadá e posteriormente na Flórida, de onde foram expulsos pelos espanhóis. Foi no Canadá que se desenvolveriam os primeiros núcleos de colonização francesa na América, num processo lento, devido às dificuldades internas do país e as adversidades naturais da região

A França Antártica

As lutas internas na França ao longo do século XVI paralisaram ou comprometeram o processo de expansão / colonização na América, como podemos perceber pelo episódio relacionado a tentativa de colonização de parte da costa brasileira, na Baía da Guanabara, região que os franceses denominaram França Antártica.
Desde o início do século navios franceses realizavam contrabando (segundo a visão portuguesa) no litoral do Brasil. O principal interesse era a madeira, pau-brasil e jacarandá, porém levavam também animais silvestres, plumas e plantes medicinais. Em troca os franceses deixavam com os indígenas tecidos baratos, facas, machados, anzóis, espelhos e etc, numa relação de troca direta denominada escambo.
Uma das regiões mais importantes para esse comércio francês era Cabo Frio, onde o contato com grupos indígenas tornou-se constante, intenso e amistoso, pois os indígenas perceberam que os franceses não representavam uma ameaça para a terra, na medida em que não tinham o desejo de ocupá-la e ao mesmo tempo obtinham instrumentos úteis para a caça ou a guerra contra outras tribos. Ao longo de décadas muitos homens franceses – perseguidos – foram deixados no Brasil, viveram entre os indígenas e se tornaram intérpretes, facilitando essa relação comercial. Essa situação seria de grande importância para explicar, no futuro, a organização da Confederação dos Tamoios, que apoiou os franceses na luta contra os portugueses.

Em 1555 se iniciou a ocupação da região do Rio de Janeiro pelos franceses, liderados por Villegagnon. Sua missão era fundar uma base naval, militarizada, para reforçar o comércio com os nativos, em um momento onde Portugal ampliava sua exploração da colônia (em 1549 foi instalado o Governo Geral na Bahia); pretendia ainda atacar navios ibéricos provenientes da América e das Índias, carregados de riquezas, prática corsária que os franceses já desenvolviam desde a década de 20 nas Antilhas, contra navios e povoados espanhóis.
Essa ação francesa se enquadra em um contexto maior, a necessidade de fortalecimento da monarquia, num espírito mercantil; marca porém uma forte contradição, pois essa monarquia estava diretamente vinculada a velha nobreza católica que, apesar de apoiar a expansão e ter interesse na mesma, ainda guardava fortes características feudais, muitas vezes contrariando os interesses gerais da burguesia. Esse foi o um dos principais motivos que fez com que grande parte da burguesia francesa se convertesse as idéias de Calvino – já expulso da França e que em Genebra consolidava sua doutrina religiosa.
Os franceses fundaram o forte Coligny (ministro do rei convertido ao calvinismo), porém Villegagnon era de origem nobre e católico, reportando-se tanto ao Almirante Coligny como ao Duque de Guise na França. Essa ambigüidade, fruto das disputas políticas que ainda se tornariam mais fortes na França, foi o principal motivo para o fracasso do empreendimento francês. As indefinições no país fizeram com que Villegagnon buscasse apoio tanto entre os católicos como entre os protestantes, mantendo contato direto inclusive com o próprio Calvino.

Ainda nos dias de hoje existe grande polêmica em relação a política adotada por Villegagnon no Rio de Janeiro, dada a presença de missionários calvinistas, que teriam sido mortos pelo comandante; ao mesmo tempo é acusado por uma parte dos católicos por ter procurado o apoio calvinista. Em 1560, o líder francês decide voltar a seu país para obter ajuda efetiva para manter sua base, frente ao avanço dos portugueses. Havia na França um grande movimento que arregimentava pessoas, particularmente calvinistas – a cada ano as perseguições aumentavam- para a fundação de uma colônia efetiva, ou seja, um processo de colonização.
Nesse mesmo ano caiu o forte Coligny após as investidas ordenadas por Men de Sá. Coube ao sobrinho do governador, Estácio de Sá, dar continuidade a luta contra os franceses e principalmente contra os indígenas, organizados na Confederação dos Tamoios. Mesmo com a presença de novas naus francesas, a vitória portuguesa foi responsável por eliminar definitivamente a primeira tentativa de fixação francesa no Brasil.

A Colonização nas Antilhas

A região das Antilhas, ocupadas pelos espanhóis, foram alvo de ataque pirata dos franceses desde 1521, quando Giovanni Verrazanno, a serviço da França, roubou uma embarcação proveniente do México. Varias outras ações de pirataria foram realizadas, assim como de comércio em algumas das ilhas do Caribe, no entanto, ao longo do século XVI, a situação de crise interna na França não permitiu um processo que se preocupasse efetivamente com a colonização.
Foi apenas durante o governo do cardeal Richelieu – regente de Luís XIII – que efetivou a colonização, comandada pela Companhia de São Cristóvão, empresa privada que havia obtido a concessão do Estado e que se utilizou de homens marginalizados no país como força de trabalho, num regime de “servidão branca”. Esse homens eram chamados de “engajados” e, em troca da passagem, se comprometiam a trabalhar na colônia por três anos.

A ação de piratas em Ilhas abandonadas pela Espanha também contribuiu para a ocupação da região, principalmente das Ilhas de Guadalupe, santa Lucia e Tobago. O couro de animais, a mandioca e o tabaco foram os primeiros produtos que os franceses exploraram na região. Ao mesmo tempo em que a exploração de metais preciosos diminuía nas terras espanholas, desenvolveu-se a produção canivieira na Antilhas, abrindo espaço para o desenvolvimento de colônias de exploração.
A exploração efetiva deu-se no reinado de Luís XIV, com a política mercantilista adotada pelo ministro Colbert, quando as colônias antilhanas ficaram diretamente subordinadas a Coroa, que nomeavam um Governador Geral e um Intendente, exploradas, no entanto, com exclusividade, pela Companhia das Índias Ocidentais, que era ainda responsável pelo tráfico de escravos, trazidos da costa do Senegal. Neste momento o trabalho dos engajados foi substituído pela escravidão africana, em modelo já adotado por ingleses e portugueses.

As leis e a burocracia se tornaram complexas entre os século XVII e XVIII, consagrando o Pacto Colonial sobre as Ilhas.
A Ilha de Hispaniola foi dividida entre franceses e espanhóis em 1697. O Haiti, na parte ocidental. No século XVIII as guerras européias fizeram com que a França perdesse grande parte de suas colônias, sendo que, nas Antilhas, permaneceu com o Haiti, Guadalupe e Martinica.

 

FONTE: http://www.historianet.com

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