Experiências nos Museus de Londres – 2011

Em maio de 2011, enquanto realizava viagem de estudos em Londres, passei a observar como aquele conglomerado multicultural reagia aos processos revolucionários em curso na Europa. Era uma grande oportunidade de presenciar como os movimentos sociais se comportavam e como eram tratados pela polícia, pela mídia e pelo governo Britânico.

Passei por inúmeros eventos e manifestações. Desde o casamento Real até a chegada do presidente norte-americano Barack Obama na cidade. Estava lá quando a Rainha resolveu, depois de anos, visitar a Irlanda. Aliás, na semana em que a Rainha foi para a Irlanda, Londres sofreu um ameaço de bomba no coração turístico da cidade: a Trafalgar Square.  Não preciso dizer que eu estava ali, do lado da famosa praça.

Vi também o comportamento da BBC em relação às manifestações que ocorreram em frente ao Palácio de Buckinhan. Era como se nada estivesse acontecendo atrás do repórter. O movimento em favor dos rebeldes líbios foi simplesmente ignorado pela BBC e quando o repórter virou para finalizar a reportagem exibida ao vivo, citou apenas a bela tarde que fazia em Londres apesar das bandeiras agitadas e os gritos de justiça ecoando ao seu redor.

Vi o quanto as relações entre Grã-Bretanha ainda estão estremecidas e o quanto precisam de atenção. Vi a forma como os migrantes politicamente reagem em relação aos posicionamentos do Parlamento Inglês. E procurei entender as ressonâncias do discurso de Obama dizendo que a Grã-Bretanha e os EUA ainda são as principais potencias mundiais e de como esse status é fundamental para suas relações com o restante do planeta. Citou inclusive o Brasil como um país apenas emergente e nem um pouco significativo ou influente no contexto político.

Convivi com lenços e burcas, punks e piercings. Escutei da música clássica à Rockn’roll. Vi elegância e gente nem um pouco elegante. Tive uma grande oportunidade e uma ótima percepção de tudo. Não esgotei minhas dúvidas até porque tenho muito tempo de Londres ainda e o bom de ficar sozinha nesta imensa cidade é acordar todos os dias com dúvidas e alimentar minha curiosidade circulando e percebendo a cidade em todos os seus graus.

Não me travesti de nenhuma teoria que guiasse meu olhar. Embora eu tenha, todos os dias, entrado nas livrarias e ficado com a mão coçando para comprar todos os livros recentemente lançados dos autores que tanto li no Brasil. Conheci a Universidade de Londres, a King’s College, a London School of Economics e tantas outras que cruzaram meu caminho. Hobsbawm, Giddens e tantos outros nomes das ciências econômicas e sociais que teorizam sobre a globalização dominam as prateleiras das principais livrarias londrinas. Mas dessa vez, pelo menos dessa vez, resolvi me dar o direito de ver, embora enviesado pela minha formação, pelos olhos meus.

Assim fui construindo minha caminhada e percepção. Visitei praticamente todos os museus londrinos. No Museu de Londres foram fartas as histórias. Estudos sobre geologia, vida marinha e vida terrestre, o surgimento do homem e todos os estudos arqueológicos que foram realizados para pontuar a forma específica de ocupação do território e as formas típicas de extração de recursos e sobrevivência. Lá encontrei um acervo de abrir a boca e arregalar os olhos. Tudo indicava o compromisso, a responsabilidade, a cultura, a atenção e o tipo de investimentos destinados à reconstrução histórica. Não foi apenas ali que pude presenciar isso, mas já anunciava o que eu encontraria nos espaços seguintes.

No Imperial War Museum mais uma agradável surpresa. O imenso acervo destinado a contar as histórias da Primeira Guerra Mundial, Período Entre Guerras e Segunda Guerra Mundial é de surpreender qualquer um. Situado na estação de metrô Elephant and Castle o museu não poderia estar em local diferente. Esta estação foi responsável por abrigar inúmeras pessoas quando dos ataques alemães em 11 de novembro de 1940.

Dentro do museu encontramos simulações de trincheiras e destruições o que nos dá a sensação de medo e terror sofrida pela população naquela época.

Embora o Museu tenha sido inaugurado em 1920 ele esteve fechado nos períodos de guerra. Sua coleção foi retirada de Londres em 1940 pelo risco iminente de destruição. Após o término da Guerra foi natural sua expansão assim como a inclusão do aparato militar utilizado ao longo da Segunda Guerra Mundial.

O acervo de artilharia é impressionante. Os tanques de guerra, invenção britânica, ganham destaque na exposição. Submarinos e aviões também compõe este acervo que procura demonstrar o poder técnico e tecnológico que a Grã-Bretanha contava para combater o inimigo. São também inúmeras fotografias que compõem o cenário das guerras: Famílias que viam seus filhos indo e morrendo em nome da pátria, fotos que mostram a produção de munição assim como tantas outras que apresentam os militares em ação.

Um atrativo bem interessante da exposição é o cotidiano das famílias inglesas em tempos de guerra: a escassez de alimentos, alimentos enlatados pela Companhia OXO, as enfermidades que vitimavam, principalmente, as crianças, a separação das famílias, o interrupção da vida escolar. É uma das partes da exposição que considerei muito significativa.

O Museu também conta com uma Exibição sobre o holocausto. Esta também foi uma parte da exposição que também me surpreendeu. Muito mais pelas pessoas que estavam visitando. Eram inúmeros judeus atentos aos fatos, lendo cada cartaz e acompanhando cada vídeo que estava sendo projetado ao longo da exposição. A sensação que eu tinha era a de que eles estavam se reencontrando com o passado no intuito de se fazerem fortes no presente. Já tinha me deparado com cena semelhante quando visitei o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.  Mas é sempre importante reafirmar visões e aqui pude fazer isso muito bem.

Sei que este simples texto não é capaz de descrever tantas histórias, imagens e sensações que lá vivi, mas ele é capaz de fazer você ir conhece-lo quando tiver a possibilidade de ir ou retornar à Londres.

E o que dizer do British Museum? O maior e mais fabuloso museu de Londres na minha singela opinião. Fora da Grécia e do Egito, o British é o maior acervo histórico destes dos países. É de impressionar a quantidade de peças em baixo e alto relevo que contam a história dos vários povos gregos e romanos. Os afrescos, esculturas e mosaicos também demonstram a grandiosidade do Museu. A Pedra de Roseta talvez seja um dos grandes atrativos além dos grandes sarcófagos situados no primeiro andar. Não tenho dúvidas de que essas peças despertam a curiosidade e a imaginação de qualquer visitante. Um dia de visitação não é o suficiente. Assim como tantos outros grandes museus do mundo é preciso reservar para o British, pelo menos, quatro dias. Para os amantes de história isso não é sacrifício algum até porque o museu é muito bem servido de Lanchonete e das famosas lojinhas.

Alguém tem dúvidas que Londres é uma Cidade Monumento? E que ela é inesgotável?

Expus aqui apenas três museus. Três atividades que o visitante pode realizar. Isso para quem gosta de história como eu, claro! Ainda não consegui falar do Museu de História Natural, do Albert and Victoria Museum, do Museu de Ciência tampouco do Tate Modern e da National Gallery! Fora tantas outras atrações como o Aquarim, a Torre de Londres, a Bridge Tower, o Parlamento, a famosa London Eye, a Abadia de Westminster e Saint Paul’s Cathedral. Não são poucas as atrações e não é fácil dar conta de tudo isso em pouco tempo. O mais importante é conhecer aos poucos e sempre ter um motivo para voltar.

Fabiana Scoleso

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