Varsóvia – A capital da Polônia e a fênix da Europa

Varsóvia pode ser considerada sui generis. Uma cidade que, comparada com as demais europeias, tem uma história bastante curta, mas de uma incomparável intensidade. Considerada a fênix da Europa Varsóvia passou por situações e circunstâncias que registraram em sua arquitetura e na memória da população a destruição, a degradação de uma cultura e do povo, como também o seu renascimento físico e moral no século XX.

            A história da cidade data d século X e a lenda dos irmãos Warsz e Sawa fundamentam mitologicamente a sua fundação às margens do rio Vístula. Mas data apenas do século XIII a construção da fortificação da cidade.

            Durante praticamente dois séculos (século XVI e XVII) Cracóvia empunhou o título de capital da Polônia e somente em 1596, o rei Segismundo III Vasa passou a ocupar o Castelo de Varsóvia onde se fixou permanentemente em 1611.

            Com isso Varsóvia viveu seu apogeu. Um intenso desenvolvimento comercial por conta da circulação de mercadorias e da presença maciça de artistas e construtores. Esse foi o período de maior crescimento urbanístico e cultural que deu não somente os traços originais à cidade como também  imprimiu o ritmo cultural da capital.

            Esse período de desenvolvimento teve seu curso interrompido no século XVIII quando os suecos invadiram a região destruindo a ordem e difundindo a peste. O sangue e a destruição provocaram a ruina de Varsóvia. Parecia estar no destino dessa cidade a interrupção frequente da sua história e o subjugo de outros povos.

            Em fins do século XVIII a Polônia perdeu sua independência. As suas anexações se realizaram em 1772, 1793 e 1795 tendo como participantes a Prússia, a Áustria e a Rússia. Em 1807 as tropas de Napoleão Bonaparte invadiram o país derrotando o exército prussiano e criando o ducado de Varsóvia.

            Em 1813, após a derrota de Napoleão, Varsóvia foi ocupada pelo exército russo. Por intermédio do Congresso de Viena, em 1815, a cidade tornou-se capital do reino polonês ligado à Rússia. Vantagens e desvantagens fizeram o contexto dessa época. A chegada de novas indústrias e a reurbanização de ruas e praças, a construção de novos edifícios públicos e universidades trouxeram para Varsóvia um ambiente mais moderno e a reedição do ritmo de desenvolvimento que séculos antes havia experimentado.

            Mas, como estamos falando de uma história de interrupções, as invasões do século XIX também exerciam um poder de domínio, não só do ponto de vista político como também cultural. A reação popular não demorou e o descontentamento social levou o povo polonês à Insurreição de Novembro. Também conhecida como Revolta dos Cadetes essa insurreição armada contra o domínio russo na Polônia durou de 1830 a 1831. O exército russo reagiu e, em número superior, conseguiu sufocar a revolta. O governo russo não demorou a impor rigorosas restrições ao povo polonês: as escolas de ensino superior foram fechadas e as coleções de artes transferidas para a Rússia. Um verdadeiro assalto cultural que atingiu em cheio a história e a formação cultural da cidade e do país no século XIX.

            Dessas restrições impostas pelo governo russo o progresso cultura e a sociabilidade do povo polonês foi atingida em cheio. Não demorou muito para mais uma onda de protestos incendiou a capital Varsóvia. A aterrorizante situação imposta pelos russos fez surgir no povo polonês um sentimento de revolta originando a Insurreição de Janeiro de 1863. Considerada a mais longa insurreição polonesa contra os russos, a insurreição durou quase dois anos. Desta vez os protestos tinham como alvo a obrigatoriedade do polonês se alistar no exército russo e as questões sobre a posse e uso da terra. Apesar de mal armados e sobrevivendo com estratégias de guerrilha. Essa insurreição provou muitas mudanças na Polônia. A ajuda financeira do Ducado de Poznan. Apesar de algumas conquistas por parte dos poloneses a Rússia continuava atuando com o confisco de bens, intensas represálias como as execuções públicas e deportações para a Sibéria.

            No limiar do século XX Varsóvia foi novamente alvo de ocupação, desta vez alemã. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918). No seu término a Polônia recuperou sua independência após 123 anos de ocupação e se transformou em um Estado livre recuperando, mais uma vez a efervescência cultural e redimensionando seu aspecto urbano com a construção de novos e imponentes edifícios.

            Porém, foi a Segunda Guerra Mundial que provocou as maiores cicatrizes na Polônia e, em especial, na capital Varsóvia. A cidade capitulou. Após um desigual combate com as tropas nazistas, as repressões e o extermínio da população levaram Varsóvia a um estado de degradação humana sem precedentes.

            Os judeus foram agrupados e instalados em “guetos”. Estima-se que 450 mil pessoas viveram nessas condições até serem transferidas para os campos de concentração. A fome, as doenças e todos os outros tipos de miserabilidades desencadeadas por essas condições causaram o extermínio de aproximadamente 100 mil judeus. Tal situação despertou um sentimento de resistência que deu origem ao Levante do Gueto de Varsóvia em 1943. A insurreição durou 3 meses e foi completamente dizimada pelos nazistas. Deste episódio surgiu a ideia dos campos de extermínio.

            Em 1944 mais uma Insurreição foi deflagrada na cidade. Embora a população de Varsóvia tenha lutado duramente contra as tropas nazistas a revolta foi novamente esmagada pelo exército alemão. A população civil foi deportada e a cidade destruída prédio por prédio. (FOTO)

            As ruínas de Varsóvia despertaram sentimentos opostos: de um lado a destruição, a calamidade e a implosão arquitetônica da cidade dava aos alemães a certeza de que a identidade e a força do povo polonês havia sido dizimada; por outro lado cada pedaço de concreto retirado das ruínas da cidade representavam uma peça de quebra cabeça que reconstruiriam não somente a cidade, mas a própria história cultural do povo polonês.

            Uma história surpreendente e sem precedentes. A população de Varsóvia garimpou as peças e pedaços em meio aos escombros da cidade. As pinturas de Bernardo Bellotto, chamado Canaletto (1721-1780) ajudaram os arquitetos, construtores e voluntários a reemergir Varsóvia.

            Em 17 de janeiro de 1945 a capital foi libertada das mãos dos nazistas. Mas precisou de mais de 40 anos para ter sua total libertação. Recém saída das mãos exterminadoras dos nazistas, a Polônia passou a viver sob as mãos de ferro da União Soviética. O país foi recuperado, Varsóvia foi reconstruída, mas o direito à sua liberdade continuava violado.

            Ao longo de muitos anos de domínio soviético na Polônia, a capital Varsóvia foi adquirindo novos aspectos. De barroca e classicista, Varsóvia adquiriu, na segunda metade do século XX, aspectos arquitetônicos Stalinistas .

            O realismo socialista foi uma vertente da arte Russa desenvolvida por Máximo Gorki durante a reunião dos Escritores, em Moscou. Dela saíram os conceitos artísticos do mundo soviético que deveriam ser adotados em todas as nações socialistas.

            Inovadora, a arquitetura soviética deveria ser a expressão do conteúdo socialista onde a arte e a ciência deveria servir à popularização das ideias do Partido Comunista refletindo o trabalho operário, camponês, a história das organizações operárias, o desenvolvimento do país. Anatoliy Lunacharsky e Aleksander Voronsky foram pioneiros abrangendo todas as formas de arte.

            A Polônia passou a incorporar esse novo estilo artístico a partir de 1949 quando Wlodozimierz Sokorski se tornou Ministro da Arte e da Cultura. Artistas poloneses se ocuparam da tarefa de recriar a cultura do país por meio do socialismo realista.

            Na literatura, na música, no cinema, nas artes plásticas e na arquitetura o estilo socialista se fez presente como uma afirmação do predomínio e das beneficies do mundo socialista. O monumentalismo expressava a força e a potência do Estado. Ruas largas, praças espaçosas, simetria. Exemplos dessa tendência são o Palácio da Cultura e da Ciência e o bairro residencial Marszalkowski.

            O Palácio da Cultura se tornou um dos grandes símbolos da cidade, apesar de muitas críticas. O autor principal da construção foi Lev Ruriniev o mesmo que criou, em Moscou, a Universidade Lomonosov. Aliás as semelhanças são incríveis. Sua construção começou em 1952 e dela participaram 3.500 mil operários russos e 4 mil operários poloneses. A construção foi concluída em julho de 1955.

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