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O blog de História de Fabiana Scoleso

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Cracóvia – uma das mais belas cidades do Leste da Europa

Posted by sala19cmi em quarta-feira, 10 agosto 2011

História de Cracóvia:

Cracóvia, a antiga capital real da Polônia situa-se na “Polônia Pequena”, na margem do rio Vístula, junto a uma antiga rota de comércio que ligava a Europa Ocidental a Rússia e que, posteriormente, nos séculos X e XI, quando começou a história escrita da cidade, foi alongada até o Império Khazar na costa do Mar Cáspio. Segundo a lenda, o nome da cidade vem do seu fundador Krak (Grakh). No entanto, recentes pesquisas etimológicas conduzem-no antes ao substantivo “krzak” (arbusto) pronunciado por pré-eslavos Kriakb. Os primeiros povoadores eslavos supostamente encontraram esse lugar cheio de arbustos (essa possibilidade foi confirmada por análises paleobotânicas) e deram-lhe este nome.  As pesquisas arqueológicas indicam que as primeiras áreas foram povoadas e habitadas initerruptamente desde 5000 anos.

A primeira menção sobre Cracóvia foi escrita apenas do ano 965 da nossa era por Ibrahim, filho de Santiago, um comerciante judeu da Espanha, nesta altura sob o domínio árabe, que descreveu a cidade de Krakua, onde o soberano tcheco importava vários bens. Cracóvia, ligada com os tchecos (provavelmente desde os tempos do Império da Grande Morávia), constituiu, em seguida, o dote da princesa tcheca Dobrawa e passou para as mãos do “duque polano” Mieszko I, o primeiro soberano histórico da Polônia.

Em 966 d.C. o duque aceitou o batismo e junto com a princesa Dobrawa  iniciou a Dinastia dos Piast. Naquela altura o centro político do estado polonês encontrava-se na Grande Polônia com os burgos principais: Gniezno, Poznan e Legnica. Logo depois, a importância de Cracóvia cresceu a ponto de se igualar a estes prósperos burgos. No ano 1000 foi fundado o primeiro bispado. Depois de um período de enfraquecimento do estado, o duque Casimiro – “o Restaurador” (reinou entre 1039-1058) e seu filho Boleslau “o Bravo” (1058-1079), quando restauravam o país, encontraram em Cracóvia maior apoio que nos burgos da Grande Polônia, destruídos pelas invasões Tchecas.

Em 1138, Boleslau III o “Boca Torta” da Polônia dividiu o país entre os seus filhos e Cracóvia passou a ser a Capital do Ducado Senhoria, que pertencia ao filho mais velho. A posição soberana dos duques da Cracóvia em relação aos outros provocava constantes conflitos, batalhas por cidades, destruições de barreiras de defesa e incêndio a edifícios. Em 1241, devido à invasão dos Tártaros, a cidade foi quase que totalmente destruída. Em 1257 o duque Boleslau “o Pudico”, fundou-a de novo e concedeu-lhe os direitos de cidade, o que contribuiu para o seu rápido desenvolvimento. A construção de fortificações em pedra salvou Cracóvia de mais uma invasão dos Tártaros, que ocorreu nos anos de 1287-1288 e que foi contida.

Na segunda metade do século XIII o despovoamento da Polônia viabilizou a chegada dos habitantes da Alemanha, muito mais povoada naquele tempo. Esse período caracterizou-se por uma forte presença da língua alemã na vida cotidiana da cidade: Cracóvia tornou-se membro da Liga Hanseática.

A posição da burguesia de língua alemã foi enfraquecida por Ladislau I (“Lokietek”), que sufocou a revolta organizada pelo administrador da comuna, Albert (1311). A causa do conflito entre o monarca foi o apoio que os burgueses queriam oferecer a João I, de Luxemburgo, nas suas tentativas de receber a coroa polonesa. Ladislau I ganhou finalmente de todos os candidatos ao trono e, em 1320, na Catedral de Cracóvia foi coroado Rei da Polônia. Com este ato o Estado polonês voltou a ser reino. A partir desse momento, e por mais 400 anos, Cracóvia tornou-se lugar da coroação dos reis.

O início do reinado do sucessor de Ladislau I, Casimiro “o Grande” (1333 – 1370), coincide com o começo do período de esplendor da cidade de Cracóvia, que durou cerca de 300 anos. A cidade enriquecendo-se graças ao comércio e ao artesanato, fazia parte também dos processos culturais europeus, o que se refletiu na riqueza de edifícios góticos, que se conservaram até hoje. Após a fundação na vizinhança da cidade de Kazimierz, a região de Cracóvia tornou-se a mais urbanizada zona do país.

Em 1364 o rei abriu a primeira universidade polonesa, a Academia da Cracóvia. Em 1400, em virtude do testamento da Santa rainha Edvige, Ladislau Jaguelão renovou essa escola, e a partir desse momento, passou a ser usado o nome de Universidade Jagiellona.

No século XV, a cidade foi dotada de uma linha dupla de muralhas de defesa e de babacã (torre de observação sobre a entrada principal da muralha), que nunca chegou a ser vencida em lutas. O declínio da Idade Média coincide em Cracóvia, com o tempo da prosperidade das artes e das ciências. A convite dos habitantes da cidade de Cracóvia, chega o grande escultor da Nuremberga, Veit Stoss, e abre em Cracóvia a sua oficina para “criar” as suas maiores obras entre 1477-1496. Os estudantes de toda a Polônia e dos países vizinhos vinham frequentar os excelentes cursos de matemática e astronomia na Universidade. Nos anos de 1491-1495, sob a direção de Wojciech z Brudezewa, aí estuda Nicolau Copérnico.

A cidade constitui um centro mercantil de escala internacional, para além da língua polonesa. O alemão, o iídiche, o tcheco, o húngaro e o russo convivem em harmonia dentro da ordem econômica estabelecida.  Os habitantes de Cracóvia aproveitaram-se imediatamente da invenção de Gutenberg e as primeiras impressões eslavas no mundo (em eslavo eclesiástico e em polonês) são publicadas na cidade. A mistura étnica da cidade foi ainda enriquecida pelos italianos trazidos para Cracóvia por Bona Sforza, a mulher do Rei Sigismundo “o Velho”. Com a sua chegada começa o predomínio do renascimento: em Cracóvia foram criadas as mais eminentes obras em estilo italiano realizadas ao norte dos Alpes. Em 1525 a cidade testemunhou a homenagem feudal prestada pelo criador da dinastia de imperadores austríacos, Albrecht Hohenzollern.

O século XVI é quase na sua totalidade período de riqueza, de desenvolvimento mercantil e de prosperidade intelectual. Devido ao incêndio do castelo em 1596 o Rei Sigismundo III Vasa desloca-se temporariamente para Varsóvia, concluindo ser esse o lugar mais cômodo para a sede de um monarca que conduz uma política aventureira no norte e no leste do país.

Finalmente, em 1611, a corte real instala-se em Varsóvia. Nos anos de 1655-1657 as guerras com a Suécia, provocadas por Sigismundo III acabaram com a anexação da Polônia pelo exército sueco. Embora Cracóvia tivesse sofrido importantes danos devido ao cerco da cidade, continuou a ser o lugar de cerimônias de coroação. Esta tradição verificou-se tão forte, que quando em 1733, durante o litígio de Augusto III e Estanislau Leszczynski, finalmente chegaram a apoiar Augusto, já que este se coroou, em primeiro lugar na cidade de Cracóvia.

Na época do declínio da Polônia, Cracóvia ainda voltou a ser centro político do país, quando, em1794, Tadeusz Kosciuszko prestou o juramento na Praça do Mercado de Cracóvia e assumiu a liderança da revolta nacional. Após a sua queda, Cracóvia encontrou-se nas mãos dos prussianos, passou para o domínio austríaco, em 1809, integrou o Principado de Varsóvia. Posteriormente e até o início da I Guerra Mundial, fazia parte da Áustria.

Após a proclamação do Império Austro-Húngaro, Cracóvia passou a ser um importante centro da cultura polonesa. A Universidade Jagiellona recuperou a sua forte posição científica. Nos meados dos séculos XIX e XX Cracóvia se tornou o lugar mais importante da vida artística e também se consolidou com organizações de independência paramilitares, que no decorrer da I Guerra Mundial, se transformaram no princípio do exército polonês.

Durante a II Guerra Mundial os alemães construíram na cidade um Gueto. Dentro dele, fecharam todos os Judeus da cidade para depois os transportar aos campos de morte. Depois da Guerra, Cracóvia se constituía num baluarte de forças anticomunistas, pelo que foi de certa forma castigada com a construção de uma gigantesca fábrica metalúrgica cujas exalações provocavam a poluição do ar da cidade e chuvas ácidas que destruíram os edifícios históricos.

Apesar da sua grave destruição, o conjunto arquitetônico de Cracóvia foi inscrito na lista mundial do Patrimônio Cultural e Natural da UNESCO, o que abriu caminho para um futuro melhor dos monumentos. No mesmo ano, o arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla foi eleito Papa, sob o codinome João Paulo II. As suas romarias à pátria contribuíram para a queda do comunismo e para a formação de uma nova geração de poloneses que veem na religião não só um elemento de tradição nacional, mas também como componente da vida pessoal. No dia seguinte da morte do Papa, sob a “Janela do Papa” no palácio do arcebispo, os cracovianos acenderam dezenas de milhares de velas.

Cracóvia contemporânea conta com mais de 760 mil habitantes e é um importante centro acadêmico, industrial, mercantil e turístico (o número de turistas que visitam a cidade atinge os 8 milhões/ano).

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