Tallinn: uma capital sobre o Báltico

Tallinn, capital da República da Estônia, é uma cidade marítima que conta com uma população de cerca 398.000 habitantes. Kalevipoeg” (“O filho de Kalev”) relata o nascimento de Toompea (principal colina da cidade) a partir de uma montanha de rochas transportadas por Linda, a viúva do mítico herói estônio Kalev, até a tumba de seu marido. A sepultura estava quase terminada quando um bloco de pedra se deslocou e caiu da colina. Conta a lenda que Linda se sentou sobre uma das pedras e começou a chorar. De suas lágrimas um lago se formou: o Lago Ülemiste, que se estende sobre uma base calcária no alto da cidade.

Não se conhece ao certo quando foi construída a fortaleza de Toompea, já que dos tempos remotos pouco foi conservado. O que se sabe é que na zona do atual Keldrimäe existiu um assentamento humano que data de 3.500 a.C.

A atual Tallinn foi conquistada pelos dinamarqueses no auge do reinado de Valdemar II durante a cruzada organizada para a evangelização do Báltico, segundo relatam as crônicas, no ano de 1219. Conta a lenda que os dinamarqueses venceram os estônios graças a ajuda de um estandarte em formato de cruz que caiu do céu durante a batalha. A cruz faz parte da bandeira nacional norueguesa.

No ano de 1230 chegaram a Tallinn cerca de 200 comerciantes alemães procedentes de Visby que começaram a edificar suas habitações nos pés da colina de Toompea.

Durante o período dinamarquês, Tallinn, que significa literalmente “Cidade dos dinamarqueses” é batizada de Reval em 1248 (Nome dinamarquês para Tallinn) e começa a sofrer importantes transformações: se promulga a legislação de Lübeck, são construídas igrejas, fundados conventos e escolas, surgindo também os grêmios. Um século mais tarde, em 1346, a Dinamarca vende suas possessões de terras estonianas a Ordem de Livonia. E na segunda metade do século XIV, a cidade se torna parte da Liga Hanseática. O poder da cidade foi aumentando substancialmente por conta do comércio hanseático. Foram elevadas torres e as muralhas foram engrossadas.

Em 1540 a cidade alcançou seu apogeu. Neste momento além das muralhas terem sido reforçadas foram construídos fortes bastiões. Durante a Guerra de Livonia o exército russo amealhou Tallinn durante quase 30 semanas nos anos de 1570-1571 e outras 7 semanas em 1577. Nesta ocasião a cidade se rendeu.

Os dominadores provocaram mudanças na região tanto na capital como no restante do país. No começo da Guerra de Livonia (1561) o exército de Tallinn jurou lealdade ao Rei da Suécia e, durante a Guerra do Norte (1710), fez o mesmo com o Czar Russo conseguindo manter seus privilégios.

Em Tallinn e em quase todo o território da atual Estônia e Letônia prevaleceu a cultura e a mentalidade alemã até que esta se viu debilitada pelo nascimento da República Estoniana na primeira metade do século XX.

Inicialmente, os estonianos autóctones procuraram resistir aos sucessivos conquistadores, porém acabaram por adaptar-se. Vivendo por séculos sob o amparo das culturas europeias, mas souberam, também, conservar as suas idiossincrasias: sua língua e seus costumes.

Os estonianos considerados como pessoas do campo começaram a se sentir como uma nação na metade do século XIX. No século XX a política de reunificação foi levada à cabo pela autoridades e surgiram as primeiras tentativas de se obter maior autonomia dentro do Império Russo. A explosão da Revolução Russa de 1917 proporcionou à Estônia uma situação favorável para que se declarasse a república democrática independente. A jovem república obteve sua independência definitiva depois de travar uma luta particular contra o poder bolchevique da Rússia e contra a Landeswehr dos alemães bálticos (Baltic Land Defense = nome das forças armadas unificadas da nobreza Couronian e Livônia).

Ao finalizar a guerra da independência, Tallinn se constituiu como a capital da República. Este episódio de sua história levou o país a grandes dificuldades. Durante a Segunda Guerra Mundial o país sofreu com as invasões Nazistas (1941-1944) e, no pós-guerra, foi ocupada pelas tropas soviéticas e seu território anexado a URSS.

Durante este período a cidade experimentou um grande crescimento industrial e o número de habitantes cresceu acentuadamente devido ao grande número de emigrantes procedentes de outras regiões da União Soviética. Neste momento se inicia a edificação dos blocos de habitações massificadas originando novos bairros nos arredores de Tallinn: Mustamäe, Õismäe e Lasnamäe.

A partir de 1987 a Estônia começa a vislumbrar a possibilidade de recuperar sua liberdade e sua independência desejos que culminaram com a proclamação da independência em 20 de agosto de 1991.

Através dos séculos a Estônia passou por períodos históricos muito difíceis: guerras, fome, epidemias, ocupações, deportações. Porém a força do povo estoniano não foi destruída nem fragmentada. Sem dúvida as dificuldades contribuíram para forjar as próprias características da idiossincrasia do povo estoniano: tenacidade e autoproteção, capacidade de adaptação e de abertura ao novo.

Parabéns ao povo estoniano!!!

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