Budapeste: Capital da Hungria e de Toda a Europa Central

A cidade de Budapest carrega consigo uma série de contradições geográficas. Fascinantes cadeias montanhosas, onde fica a cidade de Buda, as lindas planícies de Pest. As águas do rio Danúbio cortam a cidade alta e a cidade baixa e torna o cenário ainda mais deslumbrante. O passeio noturno pelas águas do Danúbio é atividade que não se pode perder O conjunto arquitetônico que margeia o rio fica iluminado dando um ar nostálgico e de romantismo ao longo do trajeto. Mas Budapest oferece mais. Ao caminhar por suas ruas é possível ver e descobrir suas histórias: desde as grandes migrações da época pré-cristã à legiões romanas que ocuparam a Hungria. Mas essa história precisa ser melhor contada.
As legiões romanas ocuparam a parte ocidental da Hungria, denominando-a de “Pannonia” que integrou o Império Romano. A cidade de Aquincum era a capital da zona oriental da província (Pannonia inferior). Em diversas partes de Óbudas as ruínas da antiga cidade, que floresceu entre os séculos II e IV puderam encontrar excelentes condições de desenvolvimento. Aos romanos seguiram-se os hunos que sempre estavam dispostos a lutar.
Segundo as lendas medievais a cidade foi denominada Buda por causa do nome do irmão de Átila, o Huno. As invasões trouxeram cada vez mais povos para o território. Nele se estabeleceram os godos, longobardos e depois os avaros, sendo que o império formado por estes últimos acabou destruído por Carlos Magno. Essas passagens da história, que normalmente ocorriam com muito derramamento de sangue, podem ser vistas no Museu Arqueológico Nacional.
No final do século IX apareceram os magiares na Bacia dos Cárpatos chefiados por Árpád e Kurszán. As tribos regentes estabeleceram-se no território e ocupara a faixa territorial que hoje é Budapeste.
Os dirigentes da dinastia Árpád escolheram Székesfehérvár e Esztergom para o centro do país em detrimento de Buda, Mesmo assim, Buda e Peste desenvolveram-se lentamente, sendo a sua evolução conquistada em 1241 pelas devastações desencadeadas pelos tártaros. No entanto, após a invasão dos Mongóis, o Rei Béla IV mandou construir um castelo para defender e assegurar a área.
A cidade tornou-se cada vez mais forte e em finais do século XIV estabeleceu-se aí a residência real. Sigilando de Luxemburgo (rei da Hungria e imperador da Germânia) mandou construir um esplêndido palácio gótico na Colina do castelo, desenvolvido pelo Rei Matias, um governante renascentista mundialmente conhecido.
Buda, no século XV, já tinha as características de uma autêntica cidade renascentista com edifícios, institutos, indústria e comércio que se podia comparar ao nível europeu. A cidade teve papel fundamental no desenvolvimento de Peste, situada na margem esquerda do Danúbio, que se tornou centro industrial e comercial de grande importância, ficando apenas atrás do desenvolvimento de Óbuda, construída a partir da herança romana.
O deslumbrante desenvolvimento do século XV foi seguido de uma época mais obscura. Assim, em 1541 os turcos invadiram uma terça parte do país, ocupando também Buda. Os 150 anos de domínio turco não significaram a destruição da cidade, muito pelo contrário: lado-a-lado com os edifícios gótico-renascentistas apareceram construções turcas de estilo oriental, as mesquitas e as moradias que ainda hoje se podem admirar no seu total esplendor (os Banhos Király e o túmulo de Güi Baba). Em 1686, quando as tropas cristãs unidas tomaram novamente a cidade, Buda foi destruída. Durante longo período em que o estado de sítio vigorou e que os massacres se impuseram, quase todos os edifícios foram arrasados e só uma parcela da população sobreviveu.
Após o domínio turco, os Habsburgos ocuparam o trono e durante seu reinado a cidade de Buda perdeu seu papel primordial, situação que se manteve até o século XIX, altura que tanto Buda como Peste ganharam novamente importância.
A aristocracia, a nobreza e os cidadãos com grande sentimento patriótico transformaram a cidade num centro cultural e econômico. Assim, um após o outro, os edifícios e palácios foram restaurados e tanto Buda como Peste passaram a se assemelhar com as mais tradicionais cidades europeias.
Por fim, a Revolução de 1848 fez com que ambas as cidades se tornassem também centro da vida política da Hungria. Nessa altura, nada podia parar seu desenvolvimento, nem mesmo a derrota da revolução que provocou o abrandamento do seu progresso durante os anos de supressão, voltando a tomar impulso somente após a assinatura do Compromisso de 1867.
Um dos acontecimentos mais importantes da vida da cidade ocorreu em 1872 com a unificação de Buda, Peste e Óbuda. Na virada do século Budapeste tornou-se uma autêntica metrópole, vindo a implantar-se o centro de negócios do país, especialmente Peste, situada à margem esquerda do Danúbio. Nesta altura construíram-se muitas novas avenidas, palácios e edifícios públicos. Os teatros, escolas, bancos e escritórios surgiram com grande velocidade. A canalização e a iluminação e transportes públicos também se desenvolveram com grande rapidez.
Em 1896, como forma de reconhecimento do crescimento econômico, organizou-se a Expo Mundial na Hungria para comemorar os mil anos de fundação da pátria. Grandes nomes da arquitetura húngara (József Hild, Miklós Tbl, Mihály Pollach, Frigyes Feszl, ImreSteindl e Ödön Lechner) projetaram novos edifícios para a cidade.
A Primeira Guerra Mundial travou o extraordinário desenvolvimento de Budapeste, ficando a cidade de novo em ruínas durante a Segunda Guerra Mundial. Na sua fuga alemães explodiram as pontes que cruzavam o Danúbio e todos os edifícios importantes da cidade sofreram danos. Em 1945, os cidadãos de Budapeste reconstruíram a cidade e em 1956, quando os ataques russos mais uma vez vitimaram os prédios e a arquitetura da cidade, os cidadãos reconstruíram mais uma vez.
Apesar de Budapeste, ao longo da sua história, ter sido reduzida a escombros várias vezes, teve sempre força para renascer, mantendo o acolhedor ambiente metropolitano que a caracteriza.
Budapeste propicia uma verdadeira incursão na história: desde as ruínas pré-históricas de Aquincum, passando pelas casas góticas e renascentistas da Colina do Castelo, até aos palácios neo-renascentistas e edifícios em art nouveau de Peste – é uma verdadeira cidade de variações arquitetônicas.
Ao observar os edifícios dos tempos antigos o visitante conhecerá os acontecimentos históricos que, por inúmeras vezes, dificultaram o avanço da cidade, sem, contudo, o impossibilitar. Hoje é possível afirmar que Budapeste, além da capital da Hungria, é também a capital de toda a Europa Central, bem como um dos centros culturais mais importantes do mundo. Figuras proeminentes da cultura moldaram a vida intelectual da cidade. Muitos compositores distintos como Ferenc Liszt, Zóltan Kodály ou o compositor austríaco Gustav Mahler, bem como os mestres de belas-artes do século XX de fama internacional, László Moholy-Magy e Lajos Kassák.
Foi também em Budapeste que Alexandre Korda realizou seu primeiro filme e onde vários cientistas como János Neuman, Sándor Ferenczi, Alberto Szent-Györgyi ou Károly Polányi desenvolveram seus estudos.
O progresso de Budapeste ganhou ainda um maior dinamismo nas últimas décadas. Numerosos concertos, peças de teatro e novos lugares de entretenimento estão à disposição dos visitantes. De fato, não é difícil passar aqui alguns dias ou até mesmo uma semana saboreando deste ambiente múltiplo que tanto caracteriza a vida e a história de Budapeste.

Anúncios

4 comentários em “Budapeste: Capital da Hungria e de Toda a Europa Central

  1. Que legal, Rebeca!!! Muito obrigada! Espero que aproveite os outros textos. Tem umas coisas bacanas no Diário de Bordo. Quando puder dê uma passadinha por lá. =) Abraços!!!

  2. Budapeste é cidade cheia de banhos e fontes termais. Como na Galiza Ourense ou ainda mais, você Fabiana não aproveitou para isso, são fantásticos. Eu recomendo o do hotel balneário Gellert, ainda lembro da minha última estadia uma velha simpática berrando-me ohne kabinen ohne kabinen. Não pagara a tarifa de mudar a roupa nas cabinas e ele reprovou-me ao apanhar-me numa por erro meu que não reparar no assunto.

  3. Sem dúvida, César. Budapeste vale uma nova visita. É uma cidade com muitas atrações e sempre ficam coisas para se fazer numa próxima oportunidade. Quando esta se aproximar vou seguir sua recomendação. Muito obrigada pelo comentário! Um abraço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s