Adam Smith: contribuições

“O trabalho anual de uma nação é a base que, originariamente, lhe fornece tudo o que é necessário e útil à sua sobrevivência, e que consiste ou no produto imediato desse trabalho, ou no que é obtido de outras nações através dele” (A Riqueza das Nações)

Nascido em 1723, pouco se sabe da vida de Adam Smith antes da sua entrada na universidade. É certo que Estudou nas universidades de Glasgow e Oxford e que se tornou professor em Edimburgo em 1748. Já nos idos de 1757, Adam Smith se tornou professor de Lógica e, depois, de filosofia moral na Universidade de Glasgow onde sucedeu Francis Hutcheson, seu antigo professor.
Como não poderia deixar de ser Adam começou a publicar os seus estudos. O primeiro foi A Teoria dos Sentimentos Morais, de 1759, que lhe deu visibilidade nos meios acadêmicos. No ano de 1764, Smith deixou a universidade para se tornar tutor do duque de Buccleuch com o qual viajou para a França e teve a oportunidade de conhecer os filósofos Voltaire e François Quesnay, fundador da fisiocracia. Lá viveu até o ano de 1766, o que explica seu contato e aprofundamento com as teorias emergentes na capital francesa.
Quando Adam Smith voltou à Grã-Bretanha passou a viver de uma pensão recebida do duque o que o permitiu debruçar-se na tarefa acadêmica e terminar sua obra maior: Investigação sobre a Natureza e as causas da Riqueza das Nações, 1776.
A obra escrita por Adam Smith logo alcançou considerável sucesso. O autor teve a oportunidade, em vida, de ver pelo menos 5° edições de seus estudos. Por conta do grande sucesso de sua obra, Adam Smith foi convidado para ser diretor da Alfândega escocesa em 1778 e Lord Reitor da Universidade de Glasgow em 1787. Em seu círculo de amizades estavam figuras de grande expressão na época como Benjamin Franklin e especialmente, de David Hume de quem foi amigo durante muitos anos. Adam Smith morreu em 17 de julho de 1790 em Edimburgo, Escócia. Adam Smith é considerado o “pai” da Economia Moderna e um dos mais importantes teóricos do liberalismo econômico.
Se Adam Smith tornou-se um marco na história da ciência econômica quem eram os responsáveis por debater assuntos relativos a esta área antes dele?
Filósofos como David Hume, John Locke e o francês Étienne Bonnot de Condillac, além de renomados homens de negócios, alguns até mesmo debatedores do mercantilismo como Edward Misselden e Thomas Mun se ocupavam em compreender os problemas econômicos. Mas foram os fisiocratas, que formaram uma das mais importantes escolas do pensamento francês, que se preocuparam em organizar os conhecimentos econômicos num sistema de conceitos e leis. François Quesnay, principal figura da escola fisiocrata, criou o chamado “Quadro Econômico” em 1758 e que foram acompanhadas de algumas explicações onde pretendeu sintetizar o funcionamento de toda uma economia, com a circulação das mercadorias agrícolas e manufaturadas. Estes filósofos eram contemporâneos de Smith.
Apesar dos saltos analíticos realizados por estes autores, Smith foi o responsável por lançar as bases da nova ciência. Todos aqueles estudiosos que passaram a ter a Economia como base do seu raciocínio acadêmico partiram de problemáticas que Adam Smith lançou à luz com a publicação de “A Riqueza das Nações”. Exemplos disso são os trabalhos realizados por Malthus, David Ricardo e Karl Marx.
Anterior a Adam Smith o conjunto do pensamento econômico predominante na Europa era o mercantilismo, uma doutrina que considerava como riqueza de uma nação o fato de que esta dependia, fundamentalmente, do seu comércio exterior. As companhias de comércio eram privilegiadas, adquiriam colônias e restringiam, ao máximo, as importações. Muitos reconhecem o fato de que o mercantilismo, ao menos, reconheceu a problemática da “riqueza nacional” em contraposição aos “interesses individuais ou grupos privados”. Esse embate mercantilista já havia sofrido críticas no século XVII com William Petty. Filósofo britânico, Petty foi um dos pioneiros da Economia Política e ficou notadamente reconhecido quando propôs a utilização de métodos quantitativos, chamados por ele de Aritmética Política, como forma de analisar a riqueza de um país. Mas forma os fisiocratas que apresentaram alternativas sistematizadas compreendendo a obtenção da matéria a partir do cultivo do solo, analisando os insumos necessários e os produtos obtidos como excedentes e a repartição deste entre as classes sociais.
Adam Smith em seu livro se debruça a analisar esta problemática, retoma as análises de Petty sobre o valor de uso e o valor de troca das mercadorias concluindo que a riqueza é constituída pelos valores de uso. Smith afirma que a riqueza de uma nação é expressa pelo seu produto per capita onde a utilidade de uma mercadoria, sua capacidade de satisfazer necessidades humanas não é o fundamento do seu valor de troca. Para ele o valor de troca é fruto do trabalho gasto na produção da mercadoria. Sabemos que este é o ponto de inflexão da teoria de Smith que rende, no século XIX, as mais importantes análises das ciências econômicas.
De acordo com a teoria do valor-trabalho de Adam Smith o crescimento da riqueza de uma nação depende essencialmente da produtividade do trabalho, uma função que exige um determinado grau de especialização. Adam Smith projetou os efeitos da divisão do trabalho sobre a produtividade considerando os elementos essenciais para a execução: especialização, tempo e aperfeiçoamento técnico. Outra lógica presente nas análises de Smith é a extensão do mercado. Para ele à medida que o comércio expande a divisão do trabalho, todos os integrantes desse processo ganham porque são beneficiários do aumento de produtividade. Adam Smith também expõe que a política livre-cambista conduz ao desenvolvimento das forças produtivas e que, portanto, precisa ser empregada no exercício da regulamentação da nação.
A Economia Política burguesa alcançou novas deliberações com Adam Smith. Isso todos nós sabemos. Suas problemáticas foram de encontro com os interesses da burguesia, dos capitalistas manufatureiros da época e, mais tarde, também dos capitalistas industriais. Todos esses queriam expandir suas atividades e transformar o mercado num espaço livre e competitivo. Smith combateu o papel do estado calcado em privilégios políticos, fundados na tradição e limitador das perspectivas de crescimento dos vários setores que investiam na produção e no comércio. Em seu texto intitulado “Teoria dos Sentimentos Morais” Smith criticou radicalmente toda a regulamentação que protegia determinadas atividades e grupos alegando que isso criava privilégios. Foi nesse contexto que Adam Smith se referiu à “Mão Invisível”.
Além das ponderações sobre o papel do estado, do livre-cambismo e do valor de uso e de troca, Smith desenvolveu importantes reflexões sobre o excedente do trabalho e de como é apropriado. Também refutou as ideias fisiocratas demonstrando que todas as atividades que produzem mercadorias também produzem valor.
De certa maneira Adam Smith apontou os fundamentos de uma teoria da exploração do trabalho e uma teoria do valor. Quase um século depois de Smith, Marx rebateu suas fundamentações teóricas.
Sobre o tratamento da terra também ganharam grande notabilidade. Para ele a terra era irreproduzível e tinham características diferentes. Sua localização e fertilidade também afetavam diferenciadamente o custo da produção. A diferença entre localização e fertilidade garantia a diferença entre os lucros.

“A política de algumas nações deu um extraordinário impulso às indústrias do campo; outras desenvolveram as indústrias das cidades. Poucas nações se preocuparam igual e imparcialmente com todos os tipos de indústria; desde a queda do Império Romano, a política europeia tem sido mais favorável às artes, manufaturas e comércio, indústrias das cidades, do que à agricultura, indústria dos campos”.

Esses foram alguns dos passos acadêmicos dados por Adam Smith no desenvolvimento da Economia Política e no caminho por transformá-la numa ciência moderna. Transformou a Economia Política numa referência para os posteriores estudos dando elementos para críticas e aprimoramento da ciência. Por si só Adam Smith delimitou uma nova fase da Economia Política e as críticas que, no século XIX, foram realizadas permitiram à Economia alcançar um patamar ainda mais elevado da ciência.

Profa. Dra. Fabiana Scoleso – Sala19 – informação, formação.

Anúncios

Um comentário em “Adam Smith: contribuições

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s