David Ricardo – contexto histórico da produção intelectual

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David Ricardo nasceu em Londres em 1772. Filho de um corretor da Bolsa de Valores muito cedo esteve envolvido com o mundo dos negócios. Após ter se casado e abandonado a fé judaica, Ricardo teve que ganhar a vida pelo seu próprio esforço já que o pai não aceitava, fundamentalmente, o rompimento com o judaísmo. Para ganhar a vida também passou a operar como corretor na Bolsa de Valores de Londres onde ganhou fortuna e se tornara um homem bem sucedido antes mesmo de completar trinta anos. Como corretor revelou suas habilidades para empreendimentos financeiros e como um homem rico pôde abandonar o dia-a-dia na estressante profissão para se dedicar exclusivamente aos estudos científicos. Interessado em geologia e matemática, mas foi na Economia Política que Ricardo ganhou destaque.
Após ler “A riqueza das nações” de Adam Smith, Ricardo tomou a obra como referência e construiu uma análise bastante apurada em torno das fissuras que Adam Smith não havia dado conta em sua obra. Ricardo se destacou na maneira como concebia, abstratamente, o conjunto do sistema econômico. Jeremy Bentham, Malthus e James Mill foram alguns dos quais Ricardo pode debater e estudar os problemas econômicos de sua época. Concordando e discordando com estes estudiosos David Ricardo construiu suas problemáticas e expôs suas análises sempre apontando seus supostos. Muitas foram as críticas que fez a Jean Baptiste Say e, principalmente, a Adam Smith. Estes foram seus maiores interlocutores, sobretudo nas questões referentes à renda e aos efeitos da acumulação sobre os lucros e juros. Uma das maiores contribuições de Say havia sido a lei dos mercados ou, como ficou conhecida, a Lei de Say. No século XX o maior crítico desta lei foi, sem dúvidas, John Maynard Keynes.
Todos nós sabemos da importância e do marco teórico que foi a publicação de “A riqueza das Nações” de Adam Smith, mas poucos reconhecem as contribuições de Jean Baptiste Say para a economia política. Talvez porque foi por muitas vezes considerado um refratário das ideias Smithianas e considerado, portanto, não original. Mas as teorias do empreendedorismo, utilizado depois pelo austríaco e destacado professor da universidade de Harvard Joseph Schumpeter, e o conceito de utilitarismo, analisado à fundo pelo filósofo e economista inglês John Stuart Mill podem e devem ser considerado de grande valia na constituição da economia política clássica.
Neste período dois grandes trabalhos se destacaram o primeiro um artigo no jornal Morning Chronicle (1809) chamado “The hight price of bullion, a proof of the depreciation of bank notes” e outro publicado em 1815 intitulado “Essay on the influence of low price of corn on the profits of stork”. Os dois ensaios tinham pretensões políticas e alteraram a relação de Ricardo com o governo. Primeiro porque o artigo publicado em 1809 se transformou num dos fundamentos da economia política e até o célebre “Bullion Committee” chegaram à conclusões muito próximas às formulações de Ricardo. O segundo ensaio Ricardo abertamente expunha sua discordância quanto a legislação de trigo da Inglaterra. Para ele a restrição da importação o alto preço do trigo somente pressionava o aumento, também, dos salários, o que reduzia substancialmente os lucros. Para Ricardo é exatamente o lucro responsável pela acumulação de capital. O elevado preço do trigo impedia a acumulação e a expansão desta atividade econômica. Essa reflexão e suas ponderações foram o pontapé inicial da teoria da repartição formulada posteriormente por David Ricardo.
Ricardo era contemporâneo da Revolução Industrial e tinha profunda identidade com a burguesia industrial. Para ele os interesses da burguesia industrial coincidiam com os da sociedade e defendia abertamente uma política favorável ao lucro em detrimento da renda. Ele tinha uma posição clara no conflito de classes: era a favor da burguesia, de tendência progressista, contra o sufrágio universal, defensor do livre-câmbio e se colocou contra às leis que proibiam a organização sindical dos trabalhadores.
Sua obra mais importante foi publicada pela primeira vez em 1917. “Os princípios de economia, política e da Tributação” deu grande destaque a Ricardo. A teoria do valor-trabalho procurou dar conta das ambiguidades que Adam Smith havia deixado em sua obra. Para Ricardo era necessário distinguir o custo do trabalho (salário) e o valor produzido pelo trabalho. Mas, ao mesmo tempo em que Ricardo tentava dar conta dessa problemática, outras apareciam. A composição do valor de casa mercadoria, o trabalho direto e o trabalho incorporado, a produção do excedente (lucro) se transformara numa grande equação que Ricardo teria que solucionar.
David Ricardo se concentra no entendimento da contradição entre o valor de troca determinado pelo trabalho e o preço relativo das mercadorias. Embora Ricardo tenha despendido grande empenho na compreensão desta contradição apenas Marx conseguirá desvendar este enigma quando analisa a transformação dos valores de troca em preços de produção. Marx reconhece, inclusive, a grande capacidade de Ricardo em ter avançado nos entendimentos sobre estas questões. O livre-cambismo internacional e as formulações das vantagens comparativas que garantiriam os interesses e os benefícios da exportação/importação também tiveram grande importância nos estudos de Ricardo.

Profa. Dra. Fabiana Scoleso – Sala19 – informação, formação.

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