O Quadro Político da Baixa Idade Média

O QUADRO POLÍTICO DA BAIXA IDADE MÉDIA

 

FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS CENTRALIZADAS

 

– Com a decadência do feudalismo, o quadro político e econômico europeu mudou drasticamente. O poder local exercido fundamentalmente pelos senhores feudais e as hegemonias cristã e clerical sofreram inúmeros abalos.

– Com o surgimento da burguesia, ligados principalmente por interesses em relação ao comércio e sua expansão, era necessário estabelecer uma nova ordem política. Não poderia mais haver pedágios feudais, moedas heterogêneas e problemas com insegurança. Uma organização da vida econômica e social só seria possível com um governo nacional, centralizado e forte;

– Foi assim que surgiu a marca política típica da baixa Idade Média. Poder Nacional, exercido por reis, apoiado pela burguesia, com poderes locais e o universal;

– Essa centralização real foi progressivamente instituindo impostos, criando exércitos e as justiças nacionais, assim como uma moeda única. A este momento dá-se o nome de FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS;

– A Europa toda viveu estas mudanças, mas foi a França o caso mais exemplar e típico de centralização nesse período;

– Vários outros Estados Nacionais surgiram, mas apresentaram peculiaridades locais e incorporaram esse processo de maneira mais geral;

– Século XIV: além do apoio dos reis, burguesia e nobreza européia juntaram-se aos monarcas para conter sucessivas rebeliões populares que ameaçavam seus privilégios e domínios;

– A Formação das Monarquias Nacionais Centralizadas foram a base para a edificação dos governos absolutistas da Idade Moderna;

FORMAÇÃO DA MONARQUIA CENTRALIZADA FRANCESA

– Alta Idade Média: a França foi comandada pelos reis Merovíngios e Carolíngios. Foi a época da supremacia do poder feudal, poder religioso e poderes locais;

– Em 987, com a eleição de Hugo Capeto, Conde de Paris, extinguiu-se a dinastia Carolíngia e iniciou-se a Dinastia Capetíngia, que reinou até 1328, quando a família de Valois assumiu o trono;

– Dentre os vários reis Capetíngios, aqueles que mais se destacaram, por suas medidas centralizadoras, acelerando a formação do Estado Nacional Francês, foram os seguintes:

                *Filipe Augusto ou Filipe II (1180-1223);

                *Luís IX (1226-1270);

                *Filipe IV, o Belo (1285-1314);

A FORMAÇÃO DA MONARQUIA CENTRALIZADA INGLESA

– Após s migrações bárbaras do início da Idade Média, os anglos, os jutos e os saxões ocuparam o território inglês e estabeleceram ali 7 reinos chamada de heptarquia saxônica; No século IX, esses reinos uniram-se sob o comando de Egberto, do reino de Wessex;

– 1066 – BATALHA DE HASTINGS: o último rei anglo-saxônico, Haroldo II, foi destituído por invasores normando, chefiados pelo duque Guilherme, o Conquistador (Guilherme I). Era o início da Dinastia Normanda na Inglaterra, que inaugurou um eficiente controle administrativo, inspirado no governo de Carlos Magno, dividindo o país em condados (shires), supervisionados por funcionários reais chamados de xerifes (sheriffs);

– 1154: com a morte do último herdeiro direto de Guilherme I, o trono foi assumido por Henrique, conde de Anjou (Henrique II), dando início à dinastia PLANTAGENETA ou ANGEVINA, principal responsável pela formação da Monarquia Centralizada Inglesa;

– Henrique II (1154-1189): seu governo foi marcado por intensa disputa entre a Monarquia Inglesa e a Francesa, por causa da existência de domínios ingleses no Norte da França. Esse soberano Inglês criou um exército de mercenários e um aparelho jurídico central, que contribuíram grandemente para a submissão dos poderes locais;

– Ricardo Coração de Leão (Ricardo I) – (1189-1199): sua ausência prolongada no reino, devido a sua intensa participação nas Cruzadas, encorajou seu irmão, João, a tomar posse do trono inglês; Além disso encorajou Filipe Augusto, a conquistar territórios no Norte da França que estavam sob o domínio da Inglaterra;

– Os conflitos que Ricardo I se envolvia oneravam o Tesouro Inglês, provocando descontentamento de seus súditos. Com a morte de Ricardo Coração de Leão, em combate, João pôde, assim, assumir o Trono Inglês;

– O governo de João se estendeu de 1199 a 1216. Ele confiscou as terras da Igreja, sendo por isso excomungado, e tentou, sem sucesso, recuperar o território tomado pela França;

– A cobrança de pesados impostos e sucessivos fracassos em guerras deram origem imposição da MAGNA CARTA, documento que restringia o poder real e ampliava o da nobreza. Nela constava a instituição do GRANDE CONSELHO, assembléia dos nobres e clérigos com poder de autorizar, ou não, a cobrança de novos impostos. Impunha ainda que nenhum homem livre poderia ser preso sem ser julgado antecipadamente por seus pares;

– No reinado de Henrique III, o Grande Conselho se transformou em PARLAMENTO, tendo suas prerrogativas ampliadas;

– em 1341, o PARLAMENTO inglês foi dividido em duas Câmaras: A Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns, constituída por representantes da burguesia. A possibilidade de participação da burguesia em tão importante órgão político revelava a importância que esta classe social vinha adquirindo no reino inglês;

– A Inglaterra viveu a reversão do processo de centralização política real, até, pelo menos, os desdobramentos da Guerra dos Cem Anos e, principalmente, com a Guerra das Duas Rosas.

O SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO

– 843 – a região da Germânia havia conquistado sua autonomia quando o Tratado de Verdun dividiu em três partes o Império de Carlos Magno;

– 936 – o trono Germânico foi assumido por Oto I, de origem saxônica, que anexou o território italiano após vencer os invasores lombardos. Da fusão da Germânia com a Itália nasceu o SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO, do qual Oto I foi coroado Imperador, numa cerimônia presidida pelo papa João II;

– Século XII – a unidade do império foi ameaçada pela QUESTÃO DAS INVESTIDURAS. O imperador Henrique IV passou a exigir do Papa Gregório VII o poder de nomear (ou investir) os bispos, visando ampliar seu controle sobre várias regiões. O papa não aceitou tal exigência, e então teve início um violento conflito;

– 1122 – CONCORDATA DE WORMS – Estabeleceu que os bispos seriam escolhidos tanto pelo imperador como pelo papa;

– Século XIII – o norte da Itália obteve sua independência, no que foi seguido pelo surgimento de várias repúblicas dedicadas ao comércio mediterrâneo: Veneza, Gênova, Florença, etc;

– O Sacro Império Romano-Germânico, no final do século XIII, era um mosaico de centenas de Estados autônomos, controlados por príncipes locais, nobres e comerciantes, sobre os quais o imperador, não raramente, possuía pouca influência ou nenhuma.

A CENTRALIZAÇÃO MONÁRQUICA NA PENÍNSULA IBÉRICA: A FORMAÇÃO DE PORTUGAL E ESPANHA

– Portugal foi o primeiro país europeu a ter uma monarquia centralizada. As monarquias, portuguesa e espanhola, ao promoverem as grandes navegações dos séculos XV e XVI, deram um passo decisivo para a formação do mundo moderno, pois estimularam a expansão ultramarina européia, o crescimento do comércio e a prática do mercantilismo;

SURGIMENTO DOS REINOS IBÉRICOS

– 476: A província Romana da Hispânia, na península ibérica, era habitada principalmente pelos suevos e pelos visigodos, povos bárbaros de origem germânica;

– Os visigodos e suevos, já cristianizados, criaram seus próprios reinos, sendo que o VISIGÓTICO, cuja capital era a atual cidade espanhola de Toledo;

– Dois séculos mais tarde os visigodos conquistaram o reino dos Suevos e passaram a dominar toda península Ibérica;

– Em 711 o General árabe Tárik, cujo exército estava aquartelado em Marrocos, atravessou o estreito de Gibraltar, derrotou os visigodos e ocupou seu território; Uma parte importante do território dos visigodos não foi dominada pelos muçulmanos. A parte que conseguiu escapar desse domínio originou um pequeno reino cristão, O REINO DAS ASTÚRIAS;

– A presença muçulmana na Península Ibérica estendeu-se por quase 8 séculos (711 – 1492) e teve conseqüência extremamente importantes: modernizou a agricultura, fortaleceu o comércio de produtos agrícolas e promoveu grande avanço na navegação costeira;

– A GUERRA DA RECONQUISTA: os 774 anos de luta, em que os cristãos foram, lentamente, retomando o território ocupado pelos muçulmanos, levaram à Formação de PORTUGAL e da ESPANHA com suas monarquias centralizadas;

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